Grupo investigado na Operação Voitheia II fraudava auxílios emergenciais a partir de dados vazados

Organização criminosa fazia cadastros em nome das vítimas de dados vazados e cadastrava as contas no aplicativo Caixa Tem

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Policia – PF deflagra Operaçao VOITHEIA II para combater fraudes ao auxilio emergencial – Agentes estiveram na favela da Rocinha, em Sao Conrado, zona sul do Rio, para cumprirem mandados de busca e apreensao.

Rio – O grupo investigado na Operação Voitheia II, deflagrada pela Polícia Federal (PF), nesta quinta-feira (5), por fraudes no auxílio emergencial, conseguia informações por dados vazados, segundo o delegado da Polícia Federal, Guilhermo Catramby. A operação cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão preventiva, sendo efetuadas três prisões, uma no estado de Santa Catarina.

Basicamente, eles trabalham com dados vazados e, a partir desses dados vazados e por meio de softwares, eles fazem cadastros em nome de terceiros dessas pessoas que tiveram esses dados vazados e cadastram, pelos chips desses celulares, as contas no aplicativo Caixa Tem”, explicou o delegado.

 

Cerca de 300 chips de celulares foram apreendidos na residência de um dos líderes do núcleo da organização criminosa no Rio, na Vila Valqueire, na Zona Oeste. Na outra casa deste mesmo bandido, em Santa Catarina, foram localizados e apreendidos R$ 30 mil e um veículo Honda Civic. Segundo Catramby, no momento da entrada da equipe na residência, ele danificou o próprio computador, provavelmente, usado para aplicar os golpes. O nome do preso não foi divulgado.

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“Essa organização criminosa se notabilizou por uma característica muito específica deles não permanecerem no mesmo local por muito tempo, eles são nômades digitais, eles vão de estado por estado para dificultar a ação dos atores da persecução penal, notadamente, a Polícia Federal e Ministério Público Federal”.

 

O grupo promoveu uma série de ataques massivos remotos em diversos estados do Brasil, como no Rio de Janeiro, Distrito Federal, Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Para o delegado, os criminosos são hackers com conhecimento técnico muito apurado. “Pessoas até de origem humilde, mas com conhecimento muito exacerbado acerca dessa parte de tecnologia da informação”.

Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na Rocinha, Zona Sul do Rio, nesta quinta-feira, e estiveram em uma clínica de estética, que estava no nome da mãe de um dos alvos da operação.

 

“Em relação à clínica de estética, ela foi adquirida a partir do proveito criminoso de um dos investigados, que utilizando o nome de sua mãe adquiriu essa clínica, e começou o seu funcionamento no dia 2 de agosto deste ano, faz três dias. No local, nós encontramos diversas notas fiscais em nome do investigado, o que denota o indício de lavagem de dinheiro dessas fraudes ao auxílio emergencial”, explicou Catramby.

 

De acordo com o delegado, os presos vão responder pelos crimes de furto mediante fraude, organização criminosa e lavagem de capitais.