Brasil

ANP alerta para adulteração de combustíveis com metanol

José Luiz de Souza, especialista da Agência Nacional do Petróleo (ANP), explica que a conformidade da gasolina pode ser verificada por meio de testes de densidade. “Se estiver acima, tem mais álcool que o permitido”, destacou.

Segundo Eustáquio de Castro, coordenador do Laboratório de Pesquisa e Análise de Petróleo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), é possível aplicar esse teste diretamente nos postos. A Resolução nº 9 da ANP, de 7 de março de 2007, determina que todos os estabelecimentos devem possuir kits com densímetro. No caso da gasolina, o valor máximo permitido é 0,75425 t/m³.
“Se estiver muito abaixo, é sinal de presença de nafta, que é solvente e possui densidade menor. Esse já é um indício de adulteração”, explicou.

Recentemente, investigações revelaram que postos controlados pelo PCC vendiam combustíveis com até 90% de metanol.

De acordo com a ANP, o metanol é um composto orgânico de grande relevância na indústria química, utilizado na fabricação de adesivos, solventes, pisos, revestimentos e também como matéria-prima para o biodiesel — combustível renovável misturado ao diesel comum. Além disso, produtores de biodiesel são responsáveis por 52% do consumo de etanol no Brasil; o restante é empregado na produção de formol, resinas e compensados.

A agência alerta que o uso de metanol para adulterar gasolina e etanol oferece graves riscos à saúde humana e à segurança pública, principalmente quando armazenado e transportado sem os cuidados necessários.


O que dizem as empresas de combustível

Em nota conjunta, a Bioenergia Brasil, o Instituto Combustível Legal (ICL), o Sindicom e a Unica reafirmaram apoio à Operação Carbono Oculto, considerada a maior já deflagrada contra o crime organizado no setor de combustíveis.

As entidades parabenizaram as autoridades responsáveis — Governo de São Paulo, Ministério Público, Polícias Federal, Civil e Militar, Receita Federal e Secretaria da Fazenda — e destacaram que o combate às fraudes protege consumidores, garante arrecadação de tributos, fortalece a confiança dos investidores e assegura um ambiente de negócios transparente.

Elas ressaltaram ainda que o setor sucroenergético e o de combustíveis são estratégicos para a economia nacional, gerando milhões de empregos, promovendo segurança energética e contribuindo para uma matriz mais limpa e sustentável.

Por fim, reafirmaram compromisso com a ética empresarial e a colaboração permanente com o poder público para a construção de um mercado justo e competitivo.

Botão Voltar ao topo