Acusados de terem saído de Ji-Paraná para crime em MS são absolvidos após quase 3 anos presos
O Tribunal do Júri de Dourados absolveu, nesta quinta-feira (9), três homens acusados de envolvimento no assassinato do mecânico Gabriel Vítor da Silva Morais.
Como foi o julgamento
Durante o julgamento, realizado na 3ª Vara do Tribunal do Júri, foram ouvidas testemunhas, seguidos dos interrogatórios dos acusados e dos debates entre acusação e defesa.
O Ministério Público sustentou a acusação conforme a decisão de pronúncia, apontando que o crime teria sido premeditado, com deslocamento entre cidades, reconhecimento prévio do local e planejamento da execução. Na época, a acusação apontava que os três saíram de Ji-Paraná (RO) para cometer a ação.
Já a defesa — formada pelos advogados Felipe Azuma, Adriano Bretas, Giovanni Moro, Karla Miranda e José Otacílio de Souza — argumentou que não havia provas suficientes para ligar os acusados ao homicídio.
Durante os interrogatórios, os três réus negaram envolvimento. Eles afirmaram que estiveram na região por motivos comerciais, relacionados à negociação de veículos, e contestaram os elementos apresentados ao longo da investigação, como dados de deslocamento e provas periciais.
O que pesou na decisão
No Tribunal do Júri, os jurados respondem a uma série de perguntas objetivas, chamadas de quesitos.
Neste caso, eles reconheceram a materialidade do crime, ou seja, que o homicídio de fato ocorreu, mas responderam negativamente quanto à autoria. Na prática, isso significa que não se formou convicção suficiente de que os acusados cometeram o crime.
Pela legislação, quando não há certeza sobre a autoria, o réu deve ser absolvido. A decisão foi fundamentada no artigo 386, inciso V, do Código de Processo Penal.
Relembre o caso
O crime ocorreu em 29 de abril de 2023, em uma oficina mecânica localizada no cruzamento das ruas Cuiabá e Mato Grosso, na região central de Dourados.
A vítima foi atingida por diversos disparos de arma de fogo, sendo encontradas cápsulas de munição calibre 9 milímetros no local. Gabriel Vítor morreu antes de receber atendimento médico.
De acordo com as investigações, os suspeitos teriam saído de Ji-Paraná (RO), passado por Ponta Porã e seguido até Dourados. A apuração policial indicava que o grupo teria feito o reconhecimento do local dias antes e executado a ação de forma rápida, com fuga em seguida.
Os três foram presos em junho de 2023 durante a operação “Queima de Arquivo”, deflagrada pela Polícia Civil por meio do Setor de Investigações Gerais (SIG), em Ji-Paraná. Desde então, permaneciam custodiados na PED.
Situação após a sentença
Com a absolvição, o juiz Ricardo da Mata determinou a liberação dos acusados e o encerramento do processo. Também foi definido o destino de materiais apreendidos durante a investigação, como armas, munições e equipamentos eletrônicos.
