O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberado para o voo. A tragédia provocou a morte de 62 pessoas, sendo 58 passageiros e quatro tripulantes.
Segundo a investigação, a aeronave ATR-72 operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo nas asas e outras superfícies, inoperante. Nessas condições, diante da previsão de formação de gelo durante a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), o voo não poderia ter sido autorizado.
O relatório aponta que, durante o voo de cruzeiro, a aeronave enfrentou condições severas para formação de gelo. O acúmulo comprometeu o desempenho do avião, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e, posteriormente, a queda sobre uma área residencial em Vinhedo.
Além da falha na liberação da aeronave, o Cenipa identificou erros operacionais da tripulação. Os investigadores concluíram que os pilotos demoraram a reconhecer a perda de desempenho causada pelo gelo e não executaram, a tempo, os procedimentos recomendados pelo fabricante para deixar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança. Apesar disso, o relatório ressalta que ambos estavam devidamente habilitados e treinados para esse tipo de situação.
A investigação também revelou problemas na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos identificou registros recorrentes de falhas no sistema de degelo, degradação de desempenho da aeronave e alertas que, em diferentes ocasiões, não receberam o tratamento adequado.
Em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que fará uma análise técnica detalhada das conclusões e das recomendações do Cenipa. O órgão destacou que a investigação tem caráter preventivo e busca identificar fatores que contribuíram para o acidente, sem atribuir culpa ou responsabilidade.
A Voepass afirmou que colaborou integralmente com as investigações e manifestou solidariedade às famílias das vítimas. A empresa destacou que, em mais de 30 anos de atuação na aviação brasileira, nunca havia enfrentado uma tragédia dessa dimensão e reiterou seu compromisso com a segurança operacional.
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