POLÍTICA: Candidatos evitam declarar orientação sexual; dois rompem silêncio e se assumem publicamente
Rondônia — Em ano de eleições gerais, a orientação sexual segue sendo um tema que a maioria dos candidatos em Rondônia prefere manter em sigilo. A Justiça Eleitoral disponibiliza a opção de não tornar pública essa informação, e a grande maioria dos postulantes a cargos eletivos tem optado por essa reserva. No entanto, dois nomes romperam a barreira do silêncio e declararam abertamente sua orientação sexual na plataforma de divulgação das candidaturas, servindo como exemplo de transparência e coragem.
O influenciador digital Fábio Schinayder, de Candeias do Jamari, é um dos poucos candidatos no estado a se declarar publicamente como gay. Candidato a deputado estadual pelo Republicanos — nome verdadeiro Francisco Fábio da Silva Costa —, ele já havia ganhado repercussão estadual ao vencer um concurso de beleza feminino, fato que gerou amplo debate nas redes sociais e na imprensa rondoniense.
Também se declarou bissexual em seu perfil na plataforma de divulgação de candidaturas a ex-juíza do Trabalho Rosângela Cipriano, de Vilhena. Fundadora de uma faculdade na cidade e hoje advogada, ela inicialmente se apresentou como pré-candidata ao Senado e aparece atualmente como candidata a deputada federal.
Mesmo figuras públicas cujos relacionamentos homoafetivos já foram noticiados parecem preferir o anonimato neste quesito, omitindo a informação na declaração oficial ou optando por não divulgá-la. Já quanto à identidade de gênero, praticamente todos os candidatos registrados em Rondônia se identificam como cisgêneros — ou seja, pessoas que se reconhecem com o gênero que lhes foi atribuído ao nascimento.
A omissão de dados pessoais íntimos não é exclusividade de Rondônia: em âmbito nacional, quase metade dos candidatos (45%) preferiu não informar a orientação sexual à Justiça Eleitoral. A declaração não é obrigatória, mas a decisão de torná-la pública ainda representa um ato de coragem em um ambiente político que, historicamente, costuma punir e questionar candidaturas LGBTQIA+.

Fonte: Folha do Sul On Line — 18 de agosto de 2026