O cirurgião vascular Neil Hopper, de 49 anos, foi condenado a dois anos e oito meses de prisão por fraude de seguro e posse de pornografia extrema. O julgamento ocorreu no Tribunal da Coroa de Truro, na Inglaterra, na última quinta-feira (4).
De acordo com a promotoria, Hopper utilizou gelo seco para congelar as próprias pernas, o que levou à necessidade de amputação abaixo dos joelhos. Posteriormente, ele alegou às seguradoras que os ferimentos haviam sido provocados por sepse decorrente de uma doença não identificada.
Com a versão falsa, o médico chegou a receber cerca de £ 466 mil (aproximadamente R$ 3,4 milhões) em indenizações.
As investigações apontaram ainda que o cirurgião tinha “interesse sexual” em amputações. Durante o processo, ele admitiu os crimes.
Carreira médica e queda
Antes de ser investigado, Hopper atuava no Royal Cornwall Hospitals NHS Trust (RCHT), instituição integrante do sistema público de saúde britânico, e foi responsável por centenas de cirurgias de amputação. O hospital afirmou que as condenações não têm relação com sua conduta profissional e que não há indícios de risco aos pacientes.
Preso em março de 2023, o médico perdeu o direito de exercer a profissão em dezembro do mesmo ano.
Ligações com rede de modificações extremas
Os promotores chegaram a Hopper durante uma investigação contra Marius Gustavson, administrador do site EunuchMaker, que comercializava vídeos de mutilações genitais voluntárias.
Hopper comprou três desses vídeos, por valores entre £ 10 (R$ 73) e £ 35 (R$ 256), e trocou cerca de 1,5 mil mensagens com Gustavson, relatando suas amputações e como havia provocado os ferimentos.
Gustavson foi condenado em 2024 à prisão perpétua, com pena mínima de 22 anos, por liderar uma rede de modificações corporais extremas.
Comente esta matéria
Participe da conversa. Seu comentário passará por aprovação.