Polícia

Empresário é investigado por avisar organização criminosa sobre ação da polícia

O Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na quarta-feira, 11 de março, a Operação Eco, no município de Nova Mamoré (RO). A ação cumpre mandados de busca e apreensão e investiga a suposta prática de obstrução de justiça, após um empresário ser suspeito de alertar integrantes de uma organização criminosa sobre uma operação policial em andamento.

A operação chamou atenção por ser um desdobramento direto de uma grande investigação contra o crime organizado no estado.

Operação é desdobramento da “Operação Godos”

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Segundo o MPRO, a Operação Eco é uma continuidade da Operação Godos, deflagrada em 12 de novembro de 2025, que teve como foco desarticular uma organização criminosa armada investigada por diversos crimes graves.

Entre os delitos investigados estão:

Extorsão;

Homicídio;

Lavagem de dinheiro;

Atuação estruturada de organização criminosa.

A nova fase da investigação busca identificar tentativas de interferência nas apurações e vazamento de informações sigilosas para o grupo criminoso.

Mandados foram cumpridos em casa e empresa

Durante a operação desta quarta-feira, foram cumpridos 2 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara de Garantias de Porto Velho.

As diligências ocorreram em dois endereços em Nova Mamoré, sendo um imóvel residencial e a sede de uma empresa.

Além das buscas, a Justiça também autorizou a quebra de sigilo de dados telemáticos dos dispositivos eletrônicos apreendidos, medida que permitirá aos investigadores analisar mensagens, ligações e registros digitais relacionados ao caso.

Empresário é suspeito de avisar criminosos sobre operação

De acordo com a investigação conduzida pelo Gaeco, o alvo da operação é sócio-administrador de uma empresa provedora de internet.

Segundo o Ministério Público, ele teria violado o dever de sigilo e confidencialidade, alertando integrantes da organização criminosa sobre o início de uma operação policial anterior.

As apurações indicam que o investigado utilizou telefone para enviar mensagens e realizar ligações, informando que a operação estava em andamento.

Esse aviso teria permitido que os criminosos tentassem destruir provas e dificultar a atuação das autoridades, configurando possível obstrução de justiça.

Justiça impõe restrições ao investigado

Além das buscas e apreensões, o Poder Judiciário determinou medidas cautelares contra o investigado.

Entre elas está a proibição de contato com outros 79 investigados, todos ligados à organização criminosa desmantelada na Operação Godos.

A medida tem como objetivo evitar interferências na investigação e impedir novas tentativas de obstrução das apurações.

Nome da operação faz referência ao vazamento de informações

O nome “Operação Eco” foi escolhido pelos investigadores como referência direta à conduta atribuída ao investigado.

Segundo o MPRO, assim como o fenômeno acústico que repete sons, o suspeito “ecoava” informações sigilosas das autoridades para dentro da organização criminosa, funcionando como um sistema de alerta antecipado para os criminosos.

As investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a análise das provas coletadas durante a operação.

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