Não é palanque: Pesquisa aponta que maioria dos brasileiros rejeita política dentro das igrejas
Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), em parceria com a Quaest, mostra que a maioria dos brasileiros prefere manter os espaços religiosos afastados das disputas político-eleitorais.
De acordo com o levantamento, 80% dos entrevistados são contrários à discussão de política dentro de espaços religiosos, enquanto 90% rejeitam a presença de candidatos em igrejas com finalidade eleitoral.
A pesquisa ouviu presencialmente 15 mil pessoas com 16 anos ou mais, em 412 municípios de todas as regiões do país, incluindo as capitais e o Distrito Federal. O trabalho de campo foi realizado entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026, com margem de erro de 0,8 ponto percentual e nível de confiança de 95%, segundo o Iser.
Rejeição aparece entre diferentes grupos religiosos
Os dados indicam que a resistência à utilização dos templos para atividades político-eleitorais aparece entre diferentes grupos religiosos, incluindo católicos, evangélicos e seguidores de outras religiões.
A pesquisa, porém, faz uma distinção importante: os números não significam que os brasileiros defendam o afastamento da religião da vida pública. O levantamento procura justamente analisar como a fé se relaciona com valores, escolhas políticas, participação social e pertencimento comunitário.
Influência de líderes religiosos
Mesmo com a rejeição à realização de atividades político-eleitorais dentro das igrejas, a pesquisa também identificou que lideranças religiosas exerceram influência sobre parte do eleitorado nas eleições presidenciais de 2022.
Entre os entrevistados, 11% disseram ter recebido orientação de líderes religiosos para votar em Jair Bolsonaro, enquanto 5% afirmaram ter recebido indicação de voto em Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre evangélicos protestantes, o percentual que relatou orientação para Bolsonaro chegou a 20%, enquanto entre pentecostais alcançou 23%.
Os resultados mostram que a relação entre religião e política continua presente na sociedade brasileira, mas também apontam uma diferença entre a participação das comunidades religiosas no debate público e a transformação dos templos em espaços destinados à campanha eleitoral.
A pesquisa coloca em evidência justamente essa fronteira: a atuação social e pública das religiões continua existindo, enquanto a utilização dos locais de culto para direcionamento político-eleitoral encontra resistência significativa entre os próprios entrevistados.
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