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PF aponta negociação de R$ 50 milhões envolvendo cotas de jatinho e helicóptero para escritório da esposa de Moraes

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Um relatório da Polícia Federal aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como parte do pagamento por serviços prestados pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a investigação, a negociação estaria relacionada a um segundo contrato, no valor de R$ 50 milhões. A proposta previa que R$ 40 milhões fossem pagos por meio da transferência de cotas das duas aeronaves, enquanto outros R$ 10 milhões seriam destinados ao reembolso de despesas relacionadas aos voos.

As informações constam de documentos e mensagens recuperados pela Polícia Federal durante a investigação. A CNN Brasil informou que os registros foram encontrados em dispositivos apreendidos e mostram que as tratativas ocorreram ao longo de 2025.

Mensagens indicam utilização das aeronaves

De acordo com o relatório, em julho de 2025 Vorcaro conversou com pessoas ligadas à empresa Prime You, especializada no compartilhamento de bens de luxo, para tratar da utilização das aeronaves.

Em uma das conversas, o ex-banqueiro questionou se as aeronaves já estavam sendo utilizadas pelo escritório. Um interlocutor encaminhou a ele uma mensagem trocada com Viviane Barci de Moraes.

Na conversa, ela teria confirmado que estava utilizando as cotas e afirmado que estava satisfeita com o atendimento recebido.

Em outro diálogo, uma funcionária da empresa informou sobre uma viagem programada para Viviane. Vorcaro teria então orientado que o atendimento fosse mantido.

Negociação envolvia duas aeronaves

A apuração aponta que os ativos negociados correspondiam a um avião executivo e um helicóptero. Documentos analisados pela PF indicariam que as aeronaves estavam relacionadas à estrutura de compartilhamento utilizada por empresas ligadas a Vorcaro.

Segundo informações obtidas pela imprensa a partir da investigação, as conversas sobre o modelo de pagamento começaram em maio de 2025. Em uma das tratativas, Vorcaro e um advogado discutiram como seria feita a transferência dos ativos e se eles passariam imediatamente para o escritório ou somente após o cumprimento do contrato.

A investigação também identificou discussões sobre a estrutura que seria utilizada para manter os ativos, diante de preocupações relacionadas à exposição pública da operação.

Escritório nega que o segundo contrato tenha sido firmado

O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que não aceitou a proposta relacionada ao segundo contrato e que não houve assinatura desse acordo.

Segundo a manifestação divulgada à imprensa, o escritório afirma ter firmado apenas um contrato anterior, de aproximadamente R$ 130 milhões, com o Banco Master. A defesa sustenta ainda que esse contrato foi posteriormente encerrado em razão da liquidação do banco.

Dessa forma, a existência de minutas, conversas e tratativas identificadas pela PF não significa, por si só, que o segundo contrato tenha sido efetivamente formalizado ou que a transferência das aeronaves tenha sido concluída.

Investigação também apura relação entre Vorcaro e Moraes

O episódio faz parte de uma investigação mais ampla sobre as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master e pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes.

Documentos analisados pela Polícia Federal também apontaram encontros entre Vorcaro e Moraes, além de mensagens relacionadas aos negócios do banco e ao escritório de advocacia da esposa do ministro. Segundo reportagens publicadas nesta terça-feira (1º), a PF identificou indícios de pelo menos seis encontros entre os dois ao longo de 2024 e 2025.

O caso passou a ser analisado pelo ministro André Mendonça, do STF, após a retirada do sigilo de parte do inquérito. O material reúne mensagens, documentos e outros elementos obtidos durante as investigações.

Até o momento, as informações divulgadas correspondem a elementos investigativos e suspeitas em apuração, e não representam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a prática de crimes pelos envolvidos.

A investigação continua e deverá avaliar a natureza dos contratos, a efetiva utilização das aeronaves, os pagamentos realizados e eventual existência de irregularidades nas relações entre as partes.