Redes sociais: as palavras que você não pode dizer na internet
Talvez você já tenha percebido que muitos usuários evitam certas palavras nas redes sociais. Eles mesmos admitem que isso pode soar estranho, mas afirmam que não têm escolha.
O fenômeno é chamado de algospeak, uma linguagem codificada criada para driblar algoritmos que supostamente punem conteúdos contendo termos sensíveis. As plataformas negam, mas influenciadores e criadores de conteúdo dizem notar um padrão.
O que é proibido dizer?
Segundo criadores, determinadas palavras derrubam alcance ou causam exclusão de vídeos. Entre elas, destacam-se:
- [YouTube] – citada como palavra que supostamente derruba vídeos no TikTok
- [Epstein] – nome do financista envolvido em crimes sexuais, frequentemente evitado
- [gay] e [trans] – citadas em processos envolvendo desmonetização
- expressões políticas e temas sensíveis, substituídos por códigos como “festival de música”
- referências indiretas a protestos e violência
O caso do “Homem da Ilha”
Criadores relatam que vídeos mencionando [Epstein] foram removidos do TikTok, embora permanecessem no Instagram e no [YouTube]. Para continuar falando do tema, alguns passaram a chamar o financista de “Homem da Ilha”, criando uma linguagem em código.
Segundo influenciadores, palavras proibidas não são oficialmente listadas, mas são percebidas na prática por queda no engajamento.
O algoritmo fantasma
TikTok, Meta e [YouTube] afirmam que não existe lista de palavras proibidas e que tudo depende do contexto. Mas investigações e relatos de criadores sugerem práticas de supressão seletiva.
O TikTok admitiu em 2023 a existência de um “botão secreto” usado para forçar a viralização de determinados vídeos — o que levou usuários a concluir que haveria também um “botão para esfriar”.
Criadores LGBTQIA+ afirmam que palavras como [gay] e [trans] foram penalizadas por anos, embora as plataformas neguem.
Quando protestos viram “festival de música”
Durante manifestações nos EUA em 2025, muitos vídeos sobre os protestos foram publicados como se fossem imagens de um “festival de música”. Usuários acreditavam que mencionar o protesto diretamente resultaria em derrubada automática — apesar de não haver prova disso.
Esse tipo de linguagem codificada, o algospeak, nasce do medo da censura algorítmica, seja ela real ou imaginada.
O imaginário algorítmico
Pesquisadores chamam esse fenômeno de “imaginário algorítmico”: usuários moldam seu comportamento com base no que acreditam que os algoritmos farão — e isso acaba alterando o próprio funcionamento da plataforma.
Mesmo quando não existe censura direta, a sensação de opacidade leva à autocensura generalizada.
Lucro acima de tudo
Especialistas dizem que, no fim, a motivação é financeira. Plataformas filtram conteúdos que possam incomodar anunciantes, reduzir engajamento ou gerar riscos regulatórios.
A moderação é apresentada como proteção ao usuário, mas é também um mecanismo para manter a plataforma rentável.
Palavras “proibidas”, conforme citadas no texto
Aqui estão todas as palavras apontadas pelos próprios criadores como evitadas ou problemáticas, destacadas exatamente como solicitado:
- [YouTube]
- [Epstein]
- [gay]
- [trans]
A seguir está **uma lista organizada de termos e expressões que, segundo criadores de conteúdo e estudos sobre algospeak, têm potencial para reduzir alcance, sofrer desmonetização ou levar à limitação de distribuição em diversas plataformas (TikTok, Instagram, YouTube).
⚠️ Não é uma lista oficial, pois as plataformas negam listas fixas — porém, essas são palavras que usuários evitam porque com frequência ativam filtros automáticos.
✅ LISTA DE PALAVRAS QUE REDUZEM ALCANCE NA INTERNET
(Versão 2025 — baseada em algospeak, práticas de criadores e tendências das plataformas)
🟥 1. Violência e crimes
- m0rt3
- m4t4r / m4tin4nc3 / matar
- s-u-i-ç-í-d-o / suicídio
- s-u-i-c-i-d-a-r
- a-t-e-n-t-a-d-o
- t-e-r-r-o-r-i-s-m-o / t-e-r-r-0-r-i-s-t-a
- m4ss4cr3
- h0m1c1d10
- e-s-t-u-p-r-0 / abus0 s.e.x.u.a.l
- p3d0f1l14 / p3d0
- tráf¡co
- d-r-o-g-a-s
- arm4 / arm4s / arm4ment0
🟥 2. Sexualidade explícita
- p-o-r-n-ô / p-o-r-n
- s-e-x-o explícito
- s-e-x-u-a-l (quando usado sem contexto educativo)
- h.a.r.d
- n-u-d-e / n-u
- b-u-n-d-a, p-e-i-t-o, etc.
🟥 3. Saúde sensível
(geralmente causa desmonetização no YouTube)
- câncer
- d-e-p-r-e-s-s-ã-o
- a-n-s-i-e-d-a-d-e
- d.o.e.n.ç.a.s graves
- p.a.n.d.e.m.i.a
- cov!d
🟥 4. Política sensível
- Nome de políticos polêmicos em contexto crítico
- eleições
- golpe / g0lp1st4
- extrema direita / extrema esquerda
- conspiração (alguns nichos)
🟥 5. Conteúdos perigosos
- b0mba
- expl0siv0
- ataque
- vírus (em contexto de ameaça)
- ameaça
🟥 6. Discursos de ódio
- Termos ligados a raça, etnia, gênero, religião
- naz¡smo / n4z1 / fascismo
- xenofobia
- lgbtfobia
Mesmo quando denunciando, podem reduzir alcance.
🟥 7. Palavrões
(Os mais censurados nas plataformas)
- p#rr@
- m3rd4
- c@r@lh0
- f0d@
- p0rr4
- vai s3 f*
- filho da p*
Criadores usam:
- p0rr, m3rd, fd*, caralh, etc.
🟥 8. Conteúdos financeiros suspeitos
- pirâmide
- esquema
- aposta / bet / cassino (dependendo da plataforma)
- trader, trading, forex (às vezes limitados)
🟥 9. Palavras que o TikTok “desacelera” com frequência
- YouTube (criadores relatam queda no alcance ao mencionar)
- concorrentes como Instagram, Facebook, Rumble
- Epstein
- Gaza / Hamas / Israel
- ab0rt0
Muitos criadores substituem por:
- “y0utub3”, “plataforma vermelha”, “plataforma vizinha”
🟦 Exemplos de Algosspeak (palavras substitutas para “enganar o algoritmo”)
- “unalive” → para evitar morte / suicídio
- “spicy eggplant” → para evitar conteúdo sexual
- “seggs” → sexo
- “g*re / g0r3” → violência
- “festival de música” → protestos
- “homem da ilha” → Epstein
- “grape” → rape (inglês)
- “panini” → pandemia
- “unalive myself” → referências autocensuradas
🟨 IMPORTANTE
Estas palavras não são universalmente proibidas, porém:
✔ reduzem o alcance de vídeos
✔ acionam moderação automática
✔ podem gerar desmonetização
✔ ativam filtros de “conteúdo sensível”