PF desarticula esquema familiar que vendia vagas em concursos por até R$ 500 mil

A Polícia Federal desarticulou um esquema criminoso que fraudava concursos públicos há mais de uma década em diversos estados do país. A quadrilha, chefiada pelo ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, cobrava até R$ 500 mil por vaga e utilizava tecnologia avançada — como dublês, pontos eletrônicos implantados e comunicação em tempo real — para burlar a fiscalização das bancas organizadoras.
O grupo, baseado em Patos (PB), aceitava pagamentos em dinheiro, ouro, veículos e até procedimentos odontológicos. De acordo com a PF, os criminosos fraudaram provas de órgãos como Polícia Federal, Caixa Econômica, Banco do Brasil, UFPB, Polícias Civil e Militar e até o Concurso Nacional Unificado (CNU).
Wanderlan, expulso da PM em 2021, era o articulador central e contava com o apoio de familiares — irmãos, cunhada e sobrinha —, que atuavam em funções distintas. A sobrinha Larissa Neves, inclusive, foi usada como “vitrine” do esquema após ser aprovada em provas fraudulentas.
A investigação apontou que os gabaritos de quatro candidatos apresentaram respostas idênticas, incluindo erros iguais, algo considerado estatisticamente impossível sem fraude. A probabilidade, segundo peritos, seria equivalente a ganhar a Mega-Sena 18 vezes seguidas.
Além das fraudes, o grupo é acusado de lavagem de dinheiro por meio da compra e venda fictícia de imóveis e veículos, além do uso de “laranjas”. Um relatório do COAF mostrou que uma das suspeitas movimentou mais de R$ 400 mil em espécie, mesmo sem vínculo empregatício.
Três pessoas foram presas preventivamente, duas em Recife (PE) e uma em Patos (PB). A Polícia Federal e o Ministério Público Federal seguem investigando o caso e analisando possíveis ligações com servidores públicos e intermediários.
O Ministério da Gestão e Inovação informou que acompanha as investigações e reforçou as medidas de segurança aplicadas no CNU 2025, como provas personalizadas, detectores de metais e rastreamento de candidatos, para evitar novas tentativas de fraude.