Bloqueio de R$ 2 bilhões: Operação Godos desmantela maior organização criminosa rural de Rondônia

A Operação Godos, deflagrada pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO) nesta quarta-feira (12), é considerada a maior ofensiva já realizada no estado contra o crime organizado. Conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a ação teve como alvo uma organização criminosa armada e violenta, envolvida em invasões de terras, extorsões, crimes ambientais e lavagem de dinheiro em Rondônia e estados vizinhos.
A operação mobilizou mais de 500 agentes públicos, entre promotores de Justiça, policiais militares e civis, peritos e servidores administrativos, com apoio de forças estaduais e federais de Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Pará.
Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de prisão temporária e 120 de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara de Garantias de Porto Velho. O MPRO também determinou o bloqueio de bens e valores que somam R$ 2,05 bilhões, referentes a danos materiais, ambientais e ao produto dos crimes — o maior valor já bloqueado em uma investigação no estado.
Prisões e confrontos
Entre os 20 presos, está o ex-vereador e ex-subsecretário de Agricultura de Nova Mamoré, José Carlos R. S., conhecido como “Eletricista”, apontado como integrante da Liga dos Camponeses Pobres (LCP) — grupo suspeito de comandar invasões de terras e lavagem de dinheiro.
Outro preso é o vereador Jair A. O., de 46 anos, o “Jair da 29”, também apontado como um dos líderes da LCP. As prisões ocorreram em diversas cidades, como Nova Mutum Paraná, União Bandeirantes, Buritis, Ji-Paraná, Rolim de Moura, Cerejeiras e Guajará-Mirim.
Durante o cumprimento dos mandados, um homem identificado como Elias C. L., o “Elias Topógrafo”, de 46 anos, morreu em confronto com a polícia na região da Fazenda Galo Velho, em Nova Mutum Paraná. Sua esposa foi baleada e levada de helicóptero ao Hospital João Paulo II, em Porto Velho.
As forças de segurança também apreenderam 21 armas de fogo, incluindo fuzis e pistolas de uso restrito, além de equipamentos usados nas invasões de propriedades rurais.
Esquema milionário e destruição ambiental
Segundo o MPRO, as investigações — iniciadas em setembro de 2022 — revelaram um esquema criminoso sofisticado, baseado em violência, coerção e lavagem de dinheiro. Proprietários e posseiros eram ameaçados e obrigados a transferir terras para pessoas indicadas pelos criminosos, muitas vezes sob risco de morte.
A quadrilha também explorava recursos naturais de forma ilegal, vendendo áreas invadidas e lavando os lucros por meio de laranjas, empresas de fachada e transações imobiliárias fictícias. Um levantamento preliminar apontou desmatamento de cerca de 25 mil hectares, o equivalente a 35 mil campos de futebol.
As movimentações financeiras do grupo, entre 2020 e 2025, somam mais de R$ 110 milhões, segundo análise autorizada pela Justiça.
Ação integrada e alcance interestadual
A operação ocorreu simultaneamente em quatro estados — Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Pará — e contou com apoio do Gaeco-MT, Polícias Civis do AM e PA, FTICCO, Polícia Militar e Civil de Rondônia, além de Sedam, DER, Politec e Corpo de Bombeiros Militar.
O nome “Godos” faz referência a uma antiga civilização guerreira, conhecida por seu poder e expansão territorial — uma alusão à força e à estrutura organizada do grupo investigado.
Compromisso institucional
Em nota, o Ministério Público de Rondônia reafirmou seu “compromisso inabalável com a defesa da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis”, destacando que a operação representa um marco no combate ao crime organizado e à violência no campo.
“A atuação conjunta das instituições demonstra que o Estado de Rondônia não tolerará organizações criminosas que atentem contra a vida, o meio ambiente e a propriedade. Essa operação é um divisor de águas na luta contra o crime organizado”, afirmou um dos promotores do caso.
Com a desarticulação da quadrilha e o bloqueio bilionário de bens, a Operação Godos se consolida como um dos maiores golpes já desferidos contra organizações criminosas rurais da Amazônia.
Fonte: rondoniaovivo
