LÍDER DE SEITA É CONDENADO A 200 ANOS DE PRISÃO PELA MORTE DE 190 CRIANÇAS
Seguidores eram obrigados a passar fome até a morte sob a promessa de alcançar o céu. Investigação aponta cerca de 500 possíveis vítimas.
Um dos casos mais chocantes de fanatismo religioso dos últimos anos teve um novo capítulo nesta sexta-feira (6 de novembro de 2026). A Justiça do Quênia condenou o líder religioso Paul Mackenzie a 200 anos de prisão pelo assassinato de 190 crianças, vítimas de jejuns forçados e práticas violentas dentro de uma seita.
Segundo as investigações, Mackenzie comandava um grupo religioso de caráter apocalíptico na floresta de Shakahola, no leste do país. Ele convencia seus seguidores de que deveriam abandonar a alimentação e permanecer em jejum até a morte para alcançar o paraíso antes do suposto fim do mundo.
A promotoria revelou que integrantes da seita ameaçavam, agrediam e impediam as vítimas de se alimentar. Crianças estavam entre os principais alvos, e algumas foram encontradas enterradas em covas rasas.
O caso começou a ser descoberto em abril de 2023, quando policiais localizaram corpos na região. Desde então, a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Quênia contabilizou 448 corpos encontrados na floresta.
A sentença foi dividida em 100 anos por homicídios causados pela privação de alimentos e outros 100 anos por homicídios diretos. Além das 190 crianças, o julgamento também envolveu a morte de um adulto.
Outros 28 integrantes da seita foram condenados a penas que variam de 10 a 160 anos. Mackenzie ainda responde a acusações relacionadas à morte de outras 52 pessoas, elevando para aproximadamente 500 o número de possíveis vítimas.
O líder religioso negou ter obrigado os seguidores a passar fome, mas seus argumentos foram rejeitados pela Justiça. A defesa anunciou que recorrerá da condenação.
A tragédia provocou indignação internacional e levantou questionamentos sobre a atuação das autoridades, que já haviam recebido alertas sobre as atividades do grupo antes da descoberta dos corpos.
