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Polícia

Operação Lívia desmantela rede que usava internet para coagir jovens à automutilação e suicídio

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, com apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública e do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), realizou a Operação Lívia, que desarticulou organização criminosa que atraía crianças e adolescentes em comunidades virtuais para submetê-los a pressão psicológica, violência contra animais, desafios de automutilação e indução ao suicídio . O caso veio à tona após o suicídio da adolescente Lívia, de apenas 13 anos, transmitido ao vivo por cerca de 45 minutos em grupo do Discord, no dia 22 de julho, na cidade de Naviraí (MS) .

Segundo as investigações, antes de morrer, a jovem foi coagida a torturar um gato — não conseguiu realizar o ato — e depois pressionada a seguir com a automutilação e tirar a própria vida. Os criminosos chegaram a abrir chave PIX em nome da menor, sem conhecimento da família, enviando dinheiro para comprarem lâminas e incentivar os ferimentos.

A ação policial cumpriu oito mandados de busca e apreensão em cinco estados: Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Foram apreendidos cinco adolescentes, entre 13 e 17 anos, além de um jovem de 18 anos que coordenava pelo Telegram; o líder apontado é um adolescente de 14 anos, detido no Rio de Janeiro, e um dos integrantes é estudante seminarista em Pernambuco.

Autoridades do Ministério da Justiça apontaram falhas graves das plataformas Discord e Telegram: não interromperam a transmissão dolorosa, não removeram conteúdo perigoso rapidamente e não avisaram a polícia, descumprindo o ECA Digital, Marco Civil da Internet e normas de proteção feminina no ambiente digital, além de não fazer verificação de idade mínima para acesso aos grupos. A pasta vai pedir investigação junto à ANPD .

Durante coletiva, o ministro Wellington César Lima e Silva fez apelo urgente às famílias: acompanhar de perto o uso de redes e aplicativos, conversar abertamente sobre riscos, saber com quem os filhos interagem e denunciar conteúdos de violência, automutilação e incentivo à morte. A equipe também conseguiu salvar outra jovem, impedindo nova tragédia marcada para transmissão ao vivo, e segue identificando outras possíveis vítimas para alertar responsáveis.

Todo material recolhido será periciado para encontrar mais envolvidos e detalhar como funcionava o controle psicológico exercido sobre jovens vulneráveis, mostrando a necessidade de maior responsabilidade das empresas digitais e união entre sociedade e poder público para proteger a infância e juventude .

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