Disputa por iPhone 17 dura 52 horas, termina com socorro do Samu e vira caso de polícia
Uma disputa por um iPhone 17 levou participantes ao limite físico e acabou se tornando caso de polícia em Piracicaba, no interior de São Paulo. O chamado “Desafio do iPhone” reuniu cerca de 30 pessoas em uma competição transmitida pelas redes sociais, na qual venceria quem conseguisse permanecer por mais tempo com as mãos apoiadas na lataria de uma caminhonete.
A maratona durou aproximadamente 52 horas, entre os dias 10 e 12 de outubro. O desafio foi promovido por estabelecimentos comerciais como estratégia de divulgação e oferecia um iPhone 17 e outros prêmios aos participantes que resistissem por mais tempo.
Participante precisou ser socorrido
Um dos competidores, o vendedor Nilson Sousa, de 25 anos, permaneceu na disputa por 52 horas e terminou em segundo lugar. Após atingir seu limite físico, ele pediu para ser retirado da competição e precisou de atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
O participante foi levado a uma unidade de saúde, onde recebeu soro e hidratação. Segundo relatou, entrou na disputa motivado pelo sonho de abrir o próprio negócio e melhorar as condições financeiras da família.
Outro competidor, o motociclista de aplicativo Tadeu Vilela, de 42 anos, permaneceu por cerca de 38 horas no desafio. Ele pretendia conseguir recursos para consertar a motocicleta utilizada no trabalho, mas acabou eliminado após adormecer em pé e soltar uma das mãos do veículo.
Regras levantaram questionamentos
Durante a competição, os participantes precisavam permanecer em pé, sem dormir e sem retirar as mãos da caminhonete. Relatos apontaram restrições no acesso ao banheiro e controle da alimentação e da hidratação.
Também houve críticas à falta de uma equipe médica presente durante toda a disputa. Uma participante afirmou que a ausência de um profissional de saúde no local foi uma das falhas da organização.
Ministério da Fazenda e Polícia Civil investigam
A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda informou que a promoção não possuía a autorização federal necessária para a distribuição de prêmios. O órgão abriu procedimento para apurar possíveis irregularidades, que podem resultar em penalidades aos responsáveis.
A Polícia Civil de São Paulo também abriu investigação. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, o caso foi registrado como perigo para a vida ou a saúde de outra pessoa. A apuração inclui a participação de um jovem de 17 anos.
A Prefeitura de Piracicaba informou que o estabelecimento tinha alvará regular de funcionamento, mas não havia apresentado pedido específico de licença para a realização do evento nos moldes em que ocorreu.
O organizador, por sua vez, afirmou que a prefeitura havia expedido uma autorização para instalação temporária vinculada ao evento e declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
As investigações deverão esclarecer as circunstâncias da competição e eventuais responsabilidades. Até a divulgação das informações, não havia conclusão definitiva sobre possíveis infrações ou responsabilidades criminais.
